quinta-feira, 19 de maio de 2011

A tradução da verdade

Desde que o homem se tornou pensante (ou foi criado, para os criacionistas), ele começou a questionar a si e ao mundo onde vive. Destas questões, as mais complexas são aquelas relacionadas a situações não vividas ou experimentadas anteriormente, como: de onde viemos e pra onde vamos?

Com base na pseudociência da época, respostas as essas perguntas eram impossíveis de ser respondidas (assim como hoje também são!). Aqueles homens bárbaros não podiam ficar sem respostas, seus “sábios”, portanto, criavam estórias, lendas e mitos pra explicar o inexplicável.

Essas explicações foram passadas por gerações no boca a boca e, assim como num “telefone sem fio”, algumas informações foram perdidas, outras alteradas e até mesmo acrescentadas. Até que alguém resolveu documentar e escrever essas informações em pedras e posteriormente em folhas.

Muito tempo se passa e revolucionários acreditam ser aqueles manuscritos, a revelação da verdade e resolvem levar aquele conhecimento ao seu povo. Eles fazem um cursinho rápido de “Aprenda hebraico e grego antigo em 6 meses” e traduzem pra línguas da época, textos escritos a séculos e séculos. Textos estes, que uma única palavra pode significar várias coisas e, sem observar o contexto, o primeiro significado que encontravam, era a tradução!

Porém, mais pessoas precisavam conhecer estas escrituras. Como não havia máquina de Xerox, monges copistas se encarregavam de reproduzir aquelas escrituras (agora já mal traduzidas). E como era de se esperar, erros eram cometidos, muitas vezes intencionalmente para agradar a reis da época.

Mais tarde, traduções de traduções foram feitas para as mais diversas línguas contemporâneas. E com o surgimento da imprensa, tornou-se mais fácil a realização das cópias.


Estranho que em pleno século XXI, traduções mal feitas [1] de metáforas escritas milênios atrás são levadas ao pé da letra e seguidas como a verdade absoluta.

E isso é só a história das escrituras referentes ao judaísmo (cristianismo e islamismo). Sem contar as escrituras relacionadas às mitologias: grega, egípcia, hindu, asteca, inca, maia.....
Bom, pra finalizar, gostaria de deixar aqui um texto de um autor desconhecido, que resume o texto lido acima (se alguém souber o autor deste texto, por favor, comente aqui para que eu possa dar os devidos créditos):

“Há milhares de anos, as lendas, mentiras, besteiras, mitos e costumes primitivos de uma pequena tribo de nômades semi-selvagens foram reunidos e escritos em pergaminhos. Ao longo dos séculos estes textos foram modificados, mutilados, truncados, floreados e divididos em pequenos pedaços que foram então embaralhados várias vezes. Em seguida, este material foi mal traduzido para várias línguas e vários povos o adotaram como a expressão da verdade, a palavra de Deus definitiva e irretocável.”

Por hora é só. Até a próxima e nunca parem de pensar!


[1] Simplesmente “traduzir” um texto é muito difícil e muitas vezes, para algum determinado idioma, impossível por não conseguir uma tradução direta. Tente, por exemplo, traduzir do inglês para o português (BR): I wish to be a cop. Você consegue uma versão para esta frase e não uma tradução. Agora, imagine traduzir essa mesma frase daqui a uns 800 anos!

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