sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Hades

Pobre, podre, puto, nu...
Seus ossos doem, sua alma geme
Ouvindo Jimi Hendrix e Janis Joplin
Curtindo uma melancolia que o leva ao inferno

Seu cheiro é de enxofre
Sua pele é ninho de vermes
Muitas feras o persegue
Mas ele não encontra o caminho de volta... E corre!

Subindo e descendo as escadas do abismo
Procurando a saída daquele labirinto
Um homem o surpreende:
- Você não conseguirá sair daqui!

Ele não desiste
Não dorme
Continua correndo
Quer sua vida de volta

Mas já é tarde,
Não há mais nada o que fazer

Ele já está morto...

(Diego V. Natividade)

Boteco

Cerveja quente
Mente vazia
Corpo cansado
Boteco fechado

Nem raiou o dia
Ele já espera plantado
E ajuda a senhor a abrir o bar intransitado

Ele pede um conhaque
Ele pede um cigarro
E pede o isqueiro
E perde a cabeça

Não vai almoçar
Diz que perdeu o apetite
Vai ficar direto

Perdido sem poder voltar atrás
Pede a saidera
E depois de mais cinco
Ainda pede o paiero

Já puxando a paia
Com um copo na mão ele caminha pra casa
Sem hoje, não poder fazer mais nada

Cerveja quente
Mente vazia...

(Diego V. Natividade)