segunda-feira, 27 de junho de 2011

Antítese

Analgésico, antitérmico, antiácido
Anti-mofo, antibiótico, anticoncepcional
Antivírus, antioxidante, anticorpos, anti-tudo-que-é-mal!

Anticonstitucional, antialérgico, anti-séptico, antiquado
Anticristo, ante-quedas, antílope, anticonvulsivo
Antidepressivo...

Anti-coração-partido...

(Diego V. Natividade)

Mais um dia

Computadores, cervejas, whiskies
Quarto empoeirado
Zicas ao chão

Entre um cliente e outro
Conversas ao celular
Pressão a todo momento

Switches, cabos, roteadores
Chave Philips e o baú da moto
Amanhã vence o imposto
Terça-feira tem inglês

James não aguenta mais
Ele vai surtar!

(Diego V. Natividade)

Onde está você?

Se eu tivesse você aqui agora, nossos desejos se saciariam
A dor seria só um detalhe...

A cor vermelha daquela luz não me sai da cabeça
Procuro mas não consigo te encontrar
Mas quando te encontro, falas uma língua que tento aprender
Onde você está agora?

Na periferia daquela rodovia ainda estão meus pensamentos
No passar dos caminhões, no cheiro de combustível daquele posto
Nas cargas descarregadas naquele pátio...
Onde está você agora?

Sua fragrância não sai da minha mente
Aqueles cachecóis de lã e o sabor da sua pele não me deixam em paz

Não tenhas medo, pois não tenho o poder de te prender
Mas não quero te perder de novo
Sabes onde me encontrar
Estarei no mesmo lugar
No pátio, na noite fria e no rock n’ roll

(Diego V. Natividade)

sábado, 25 de junho de 2011

Lágrimas e Versos

A solidão é minha melhor companheira
No escuro ainda ouço o som de sua voz que ecoa em minha mente
Lagrimas e versos saem de mim

Lembranças vêm à tona
Amor e ódio
Dor...

O sentimento de culpa por não ter conseguido
A dor por não ter sido firme
Não ter dado o melhor de mim

E a decepção por ter aceitado tudo do seu jeito
E no final...
Não valer a pena

(Diego V. Natividade)

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Quinta-feira

Naquele balcão, James observa atentamente
Muitas histórias, prosas, causos
Pessoas se levantando
Gente indo embora
O velho bebendo Whisky
A morena tomando Ice

Caldos, porções, polentas e uma garrafa de Ballantines
- Cigarro não pode minha jovem!
E James só observa...

Depois de algum tempo
Preocupado
Vai embora
Amanhã tem que trabalhar...

(Diego V. Natividade)

quinta-feira, 23 de junho de 2011

NP-completo

Confuso
Talvez a explicação esteja bem ali
Ou talvez nem tenha explicação...

Busco e não encontro
A solução foge de mim
Qual será a fórmula pra esta equação?

A matemática não consegue provar suas teorias
Movimentos caóticos e atos descontrolados
Qual será o algoritmo que resolve este problema?

Base octal, hexadecimal
Números primos, matriz multidimensional...
Se você me explicasse seria tão fácil...

Ou talvez não tenha mesmo solução!
Sem paradigmas
Um paradoxo...

(Diego V. Natividade )

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Clock

Por que falo com esses elementos?
São placas de fibra de vidro e resina contendo trilhas e ilhas de cobre
Diversos componentes juntos, interligados, funcionando a 3, 5 e 12 volts!

Um fio, uma bobina, um ferrite
Eletrólito, silício, carvão e cobre os compõe

Uma caixa de metal os protege
Uma ou duas hélices os refrescam
E no final das contas tudo funciona no pulsar do clock

Em cada pulso, instruções e dados percorrem seus barramentos
Informações são acessadas a todo o momento

A cada tecla pressionada
A cada música escutada
A cada imagem visualizada...

E não é que funciona mesmo...

Mas eles são frios
São burros
Não falam comigo

Mas eu falo com eles
Programo suas tarefas
E eles me devolvem algo até, digamos... Útil!

Por mais que eu tente ensiná-los a sentir
Não conseguem...
Porque eles são máquinas, não são como você

Você me vê
Você me sente
Você me toca

Mesmo assim, não sei por que insisto em gostar deles...

(Diego V. Natividade)

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Sentindo-se só

Você não me faz bem
Suas idéias não são meus ideais
Sua imaginação é mais fértil que Terra Preta
E em seus pensamentos há lacunas que não se pode completar

Suas peças são como um quebra-cabeça chinês
Sua consciência, inconstante e inconsistente, não condiz com a contemporânea realidade
Suas palavras soam como hebraico arcaico

Arcando eu com a solidão de sua companhia
Escrevo...

(Diego V. Natividade)

sábado, 11 de junho de 2011

Versos Quânticos

Meros quadridimensionais vibrando neste espaço-tempo cósmico
Mas onde estão às outras sete? Não consigo compreender...

Seu rosto é como um prisma, que reflete uma mistura de fótons coloridos com diferentes comprimentos de ondas...

Com você posso dobrar o espaço-tempo e criar túneis que me levam a qualquer lugar
Passagens multidimensionais e buracos negros se criam a todo o momento

Em busca da simetria só encontro o caos
Mas você não para: ora onda, ora partícula
A gravidade é tão mais fraca que seu eletromagnetismo, que não consigo me segurar

Mas como cordas, você continua vibrando... Vibra numa freqüência tão alta que não consigo mais alcançar

O que me conforta é saber que mesmo distantes, permanecemos unidos
Emaranhados nessa grande teia

(Diego V. Natividade)